Helio

Em 21 de Janeiro de 1962, no Rio de Janeiro ás 23h45min, cheguei para mais uma vida com determinação e muita vontade de viver.

Um mês antes de meu renascimento minha mãe (a querida Didi) pensava em abortar, pois era seu terceiro filho e não se achava prepara para tal responsabilidade. Didi foi então ao médico, esse porém com todo carinho a explicou que o feto já possuia mãozinhas, dedinhos.. sensibilizando-a. Porém Didi não estava grávida como imaginava. Engravidou logo em seguida.

Com essa nova visão da vida que lhe foi dada, Didi completou sua gestação com todo amor que é sua essência. Didi então teve seu terceiro filho.

Eu.

Números

A primeira palavra que falei foi "dez", isso mesmo, um número, adoro números.. A partir dos quatro anos, antes de ingressar na escola assustava as pessoas quando falava números enormes, tipo um quinquilhão, trezentos e trinta quatrilhões.. todo o resto da sequência certinho, pô eu não tinha sido alfabetizado ainda.

Pintura

Tinha mais ou menos seis anos quando pintei minha primeira tela, era pequena, uns 20x20. Morávamos em Copacabana, e a Didi tinha uma amiga portuguesa que era pintora. Maria José assinava Maboin em suas telas. Não lembro do estilo, as achava bonitas e com vida. Nos reuníamos, eu, ela, Didi e Nádia que era minha irmã do meio.

Era uma cobertura na Rua Toneleros em Copacabana. Tinha muitas plantas, pinturas e tintas para todo lado. Assim que chegávamos, Maboin trazia dois cavaletes nos dava tela, tinta e pincéis, só assim poderia conversar em paz com Didi. Eram tardes alegres, mas de vez em quando a Nádia implicava com minhas pinturas, as dela eram todas certinhas, igual sua letra, que por sinal imitei, minhas pinturas não tinham regras, e sim rabiscos e cores, resumindo, eram abstratos.

A Nádia não entendia porque Maboin repetia "esse menino tem talento.

Saí um pouco do assunto, é verdade, mas vamos ao capricho. Eu e Didi tivemos que arregassar as mangas, tínhamos que bancas as nossas necessidades, minhas irmãs mais velhas estavam na faculdade, e começamos decorando cabides. Comprávamos o cabide de madeira, colávamos espuma com cola hélion e íamos com fita e cordões coloridos até o aro de arame. O trabalho era muito minucioso, e se não tivéssemos o máximo de capricho, tínhamos que refazer tudo, como moradores de copa, íamos sempre a praia , e reparamos que as cangas eram muito comuns, e invetamos várias estampas e processos de decorá-las. Sucesso total

Perigoso e Inesquecível

Para amenizar a ausência de meu pai, Didi se desdobrava para me alegrar. Fomos uma vez a Poços de Caldas e lá um hippie me impressionou, mergulhava peças de metal numa bacia com líquido azul e saia uma fumaça amarelo mostarda fortíssima que definia um contraste de metal escovado brilhante.

Quando voltamos ao Rio, estávamos com a fórmula em mão. Ácido Nítrico e betume. Nossa cozinha então se transformava ali numa nuvem de fumaça tóxica. Didi sem noção e muito amor